O II Fórum Nacional de Crítica Cultural: Educação Básica e cultura: diagnósticos, proposições, novos agenciamentos foi realizado em Alagoinhas na Universidade do Estado da Bahia- UNEB, Campus II, nos dias, 18, 19, 20 e 21 de novembro de 2010.
O II Fórum de Nacional de Crítica Cultural tem como objetivos gerais mapear e descrever aspectos da relação entre a educação e a cultura, sobretudo a educação básica, situando o compromisso teórico da pesquisa científica na grande érea de lingüística, letras, e artes, ciências humanas, ciências sociais aplicadas, e multidisciplinar, na articulação de encontro entre comunidade científica e coletivos culturais e educacionais, além de empenhar-se na construção de uma agenda envolvendo estes coletivos e suas demandas quanto à afirmação da cultura como um bem simbólico, um direito de todos. Um evento, portanto, que sugere diagnósticos- como uma arqueologia; proposições- como um engajamento transvalorador; e novos agenciamentos- como a invenção de espaços produtivos e revolucionários nas instituições educacionais e culturais existentes.
Participamos da comunicação como ouvinte, que tinha por tema “Ressignificar o ensino de língua portuguesa: Um desafio mais que necessário;” dirigida pelas graduandas: Eloah Miranda, Estefania da Conceição e Glauce Souza do curso de Letras/UESB/JEQUIÈ-BA.
A apresentação das discentes consistia num subprojeto- o processo formativo do professor de língua portuguesa na microrrede ensino-aprendizagem-formação, busca proporcionar aos futuros educadores participação em experiências metodológicas e práticas docentes, para que, fundamentados numa observação etnográfica busquem a superação de problemas identificados no processo ensino- aprendizagem de língua portuguesa.
O trabalho apresentado foi muito significativo, pois se tratava de um tema bastante interessante e instigante e têm tudo a ver com a nossa área, fazendo-nos repensar nossa prática como futuros educadores de Língua Portuguesa. Além disso, elas trouxeram considerações relevantes, sobre o ensino da língua, gramática, fundamentando-se na teoria de autores, inclusive alguns já estudados em sala como GERALDI, João Wanderley entre outros.
Abordaram que não dar para separar gramática de texto, portanto seria mais significante aprender língua através de texto, tentando sempre fazer essa interligação. Além de se tornar mais rico, os alunos seriam mais capazes de absorver melhor o conteúdo a partir desses textos, até mesmo analisar e identificar os elementos gramaticais ali presentes. Dessa forma, acreditamos que seria mais satisfatório do que ensinar gramática como apenas regras.
Elas pontuaram alguns tópicos como: que para se produzir um texto em qualquer modalidade era necessário:
· Refletir sobre o uso da língua
· A língua como produção de texto
Uma das sugestões citadas pelas graduandas e baseadas em alguns autores, e que para nós é bem aceita é: “aprender língua através de textos. Enfim o trabalho realizado foi excelente e como é um subprojeto ainda está sendo “desenrolado”, onde as mesmas com esse trabalho pretendem desafiar o professor (a) a ressignificar o ensino de Língua Portuguesa.
Tirei grande proveito nisso, já que como futura educadora de Língua portuguesa, terei que está dominando estes assuntos e o material e referencial que elas utilizaram me ajudaram, aumentando o nosso conhecimento.
Participamos do mini-curso: “Construção da escrita infantil: possíveis percursos”, dirigido pela professora Cláudia Martins do Campus II-UNEB. Neste curso foi abordado sobre os estágios da escrita que são: escrita icônica, escrita grafemática, escrita fonográfica e escrita ortográfica. A escrita icônica é aquela em que a criança escreve através do desenho, querendo dizer alguma coisa través do mesmo; os rabiscos, as bolinhas que as crianças fazem, sempre significam alguma coisa para elas, na verdade é uma escrita.
A escrita grafemática fixada mais na forma do que no som. Ao aprender seu próprio nome a criança passa a utilizar as letras desse nome fazendo uma série de combinações, mas essas letras não têm nenhuma relação aparente com o som. No trabalho apresentado teve como fundamentação teórica autores como Abaurre, Cagliari, entre outros. Para explicar as fases de desenvolvimento da escrita: pré-silábica, silábica, alfabética etc. utilizou como referência Emilio Ferreiro.
Percebemos que para o desenvolvimento desse trabalho, foi realizada uma pesquisa de campo e experimental com crianças das escolas públicas de Salvador, também dados do próprio filho da professora Cláudia a ministrante do curso. Observamos que é um trabalho rico que permitiu um acompanhamento de perto, evidenciando a aprendizagem da escrita que se inicia com a ausência de relação oral-escrito, passando por uma série de etapas que denunciam essa relação, até atingirem as relações ortográficas.
Diante disso podemos afirmar que a construção da escrita infantil é um processo que exige atenção por parte dos responsáveis, pais, professores para que a criança desenvolva. E é necessário este acompanhamento, pois notamos que dessa forma também estamos contribuindo não só para o desenvolvimento da escrita, mas na leitura e o oral da criança.
Participamos também da Oficina “Diversidade na Educação de Jovens e Adultos”, dirigida pela professora Magdalânia Cauby do Campus II-UNEB, juntamente com as graduandas do curso de Letras, História e matemática. A oficina iniciou-se com uma pergunta bastante significativa: O que é diversidade para você?
Talvez muitos de nós ainda não tenhamos parado para refletir e analisar o que realmente significa essa palavra “DIVERSIDADE” embora ouvimos falar com frequência. Naquele momento podemos nos colocar e resumir com apenas uma palavra o que considerávamos diversidade. A estratégia usada foi produtiva, pois cada um escreveu no papel o seu conceito e a medida que íamos à frente apresentar, deixávamos exposto no fundo da sala, criando uma espécie de mural.
Diversos cartazes estavam expostos na sala e entre eles estava uma frase que me chamou à atenção: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar” (Nelson Mandela).
É uma frase que nos permite refletir sobre o tema diversidade, onde devemos respeitar os outros, suas crenças, reconhecer seu valor e a identidade que cada um possui; podemos amar as pessoas independente de suas diferenças. Na oficina realizada foram abordados os diversos tipos de preconceitos como: religioso, regional, econômico, de gênero, sexual, de classe entre outros. Diante do que foi relatado e apresentado podemos afirmar que a nossa sociedade é discriminatória. Um dos preconceitos mais evidentes na minha opinião é o racial. Nas novelas podemos comprovar isso. Quando se trata de negros e principalmente de mulher negra, seu lugar sempre é na cozinha, enquanto os brancos ocupam cargos elevados. Notamos aí o preconceito de gênero também.
Como foi abordado também na oficina sobre desigualdade de classes, raça e gênero na educação, observamos que existe uma defasagem em relação aos estudos entre negros e brancos. É importante lembrar que quando falamos em discriminação racial não envolve somente cor; a diversidade étnica corresponde os vários aspectos: cultura, língua entre outros.
Discutiu também a respeito da complexidade da diversidade, onde inclui: direitos humanos, realidade histórica social, desigualdades sociais, formação de educadores. Concluindo, podemos afirmar que o trabalho realizado foi produtivo, no final produzimos algumas atividades propostas pelas ministrantes da oficina relacionada com o que foi com o assunto abordado e levantamos propostas para trabalhar diversidade na EJA.
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